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Compreendendo melhor a família e a escola
Nas últimas décadas tem havido uma inequívoca tensão nos núcleos familiares. Os pais têm cada vez menos tempo para convivência com os filhos, o nível de desemprego se elevou, a instabilidade social cresceu, as taxas de divórcios e separações são cada vez maiores e o aumento da mobilidade vem provocando uma sensação de desenraizamento nas pessoas.
O núcleo familiar no qual as crianças vem sendo criadas é bastante restrito, limitando-se a seus pais e irmãos. Esse fato faz com que as mesmas conheçam e convivam muito pouco com a família "maior" resultando em uma certa indiferença no seu relacionamento com os demais parentes.
É difícil nas grandes cidades, uma convivência íntima entre tios, primos e lamentavelmente, até com os avós (figuras tão importantes no desenvolvimento das crianças).
Esses fatos somados, causam uma diminuição das fontes estáveis, que colaboram para a construção dos relacionamentos sociais causando uma ascensão do individualismo. Tudo isso gera um indiscutível incremento no "stress" da família nuclear.
Nesse sentido, nossas crianças estão mais dependentes de amparos da comunidade, de instituições que representam lugares adicionais de segurança, amparo e esperança que ofereçam figuras identificatórias confiáveis. Dentre esses lugares comunitários de força e estrutura, estão incluídos os que propiciam a crença em um ser superior e a confiança no ambiente escolar.
Para melhor compreendermos esse aspecto, podemos citar o exemplo de quando a criança se defronta com um desafio importante, e momentaneamente fracassa ela pode se frustrar de maneira importante. No entanto, se possuir uma crença, acreditar na comunidade familiar e na escola, tenderá a sentir esse "fracasso" como uma derrota temporária e não como um fracasso vital e duradouro que envolve todo o seu ser.
Na ausência dessa grande comunidade, é freqüente a criança se tornar vulnerável, e deixar que uma derrota momentânea, se transforme em um tormento permanente.
Não devemos perder de vista, que a construção de ambientes que transmitam confiança; e a reconstrução da grande família, são de vital importância para o desenvolvimento saudável das crianças favorecendo-as na busca incessante da felicidade, que é uma busca própria do ser humano.
Desnecessário dizer que a comunidade escolar ganha uma importância cada vez maior como espaço confiável para nossas crianças. Não apenas como fonte de aquisição do saber, mas principalmente como lugar para se viver. Não é incomum, que ao perguntarmos às nossas crianças, quem são seus melhores amigos, nos sejam apresentados seus amigos de escola.
A comunidade escolar cada vez mais se aproxima, no imaginário infantil, do espaço ocupado anteriormente pela grande família é lá que a criança encontra e convive com "tias", por exemplo.
Nada nos impede de reatar os laços na grande família original, mas na medida em que na mente infantil, a escola ocupa grande parte desse lugar, devemos estar atentos para que ela possua valores: como sabedoria, afetividade, fé e capacidade de acolhimento que são desejáveis em qualquer boa família, e em qualquer comunidade estruturada, saudável e sentida como agradável.
Dr. Conceil Corrêa da Silva
Médico Psiquiatra, Escritor e Presidente da Associação Brasileira de Estudos das Inteligências Múltiplas e Emocional® (ABRAE).
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